Moda Sustentável: Trabalho Escravo

Cuidar das pessoas também é ser sustentável!

Trabalho escravo

No começo deste ano a internet foi tomada por um pequeno reality show que levou 3 blogueiros de moda da Noruega para o Camboja, onde eles foram conhecer a realidade sobre a indústria têxtil de lá. O reality Sweatshop – Dead Cheap Fashion não chocou somente os blogueiros como também muitas pessoas no mundo por mostrar as condições terríveis em que aquelas costureiras e outros trabalhadores da área têxtil vivem.

Trabalho escravo (3)Eu não vou falar especificamente do Sweatshop (que aliás, quer dizer “loja do suor”), mas sim de todo tipo de trabalho escravo, precário ou abusivo que existe no mundo da moda. Não é novidade para ninguém que roupas e acessórios fabricados na China, Índia, Camboja, Tailândia, Indonésia e muitos outros são mais baratos. E muito menos que grandes empresas, de fast fashion ou não, tem toda sua mão de obra nestes países para ter um custo baixíssimo e um lucro absurdo.

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A cambojana fez o vestido por 0,60 centavos de dólar. A norueguesa comprou o vestido por 50 dólares.

Uma das partes mais chocantes do reality é quando uma costureira conta que sua mãe morreu de fome, porque eles não tinham como comprar comida. Para ter ideia do que se passa lá, os trabalhadores recebem 3 dólares por um dia de até 12 horas de trabalho. Todos os dias da semana, com apenas uma pequena pausa para o almoço, que é conjunto, com uma comida suja e muitas vezes estragada.

Trabalho escravo (1)A blogueira Anniken chora quando sabe que a mãe da cambojana morreu de fome.

Parece assustador, não é? Mas agora pare e dê uma olhada nas roupas que está vestindo. Alguma delas é Fenomenal, John John, M. Officer, Pernambucanas, Zara ou Marisa? Todas essas tem ou tiveram trabalho escravo em sua confecção. Agora veja se você tem alguma roupa fabricada nos países que eu citei acima? Certamente sim. Sair desse meio é muito complicado porque nós não conseguimos vigiar todo o processo de uma marca o tempo todo e as marcas que são assumidamente livres disto geralmente são muito caras.

Mas eu também tenho uma dúvida que fica martelando na minha cabeça; parece simples: vamos deixar de comprar dessas marcas e fazer um tipo de boicote e pronto, estaremos livres. Por outro lado, esses trabalhadores da China, por exemplo, muitas vezes nem sabem que são escravos. Esse é o único trabalho que tem e isto já é o suficiente para eles, porque países como estes tem muitos problemas relacionados à emprego. Então se eu parar de consumir esses produtos, mas o país em que estas pessoas vivem não mudar suas leis, fiscalizações e direitos, este trabalhador simplesmente ficará desempregado, o que é muito pior (novamente, no que para eles é o ideal de melhor).

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Mudar esse cenário é muito difícil e exige anos e anos e fiscalização. O que nós podemos fazer de imediato é procurar saber a origem dos produtos que compramos. Eu tenho muita roupas da Marisa (mas hoje não compro mais), de lojas do Brás/Bom Retiro e até já comprei no Aliexpress, mas cada peça a menos que comprarmos e cada informação passada à diante pode influenciar muito no futuro. E incentivar cada vez mais marcas que prezam o bem de seus funcionários e tem controle das origens de seus produtos, pode ter um resultado significativo no futuro da população e do mundo.

Uma maneira simples de pesquisar sobre isso é o aplicativo Moda Livre. Vocês podem baixá-la através da loja de aplicativos do seu celular.

Para assistir o reality Sweatshop com legendas em inglês clique aqui.